Por Marco Aurélio Dias
Alguém me disse que São Lourenço tem que recuperar o “tempo perdido”, referindo-se, logicamente, ao desempenho do passado em relação ao desempenho atual no que diz respeito ao movimento turístico, estabelecendo um parâmetro entre 1980 e 2010. Cabe verificar que o conceito de um tempo passado associado a uma culpa é o fundamento moral da definição de "tempo perdido" a quê nos referimos aqui. Não existe “tempo perdido” e nem se recupera o “tempo perdido”. Além disso, “recuperar” tem implícita a idéia de “voltar a ter o que se perdeu”, o que não é possível quando não se perdeu o que se quer recuperar. O chamado “tempo perdido” foi vivido, logo não foi perdido; portanto, não pode ser recuperado. Também não podemos levar em conta, aqui, os conceitos "mal vivido ou "bem vivido", para justificar a existência de um "tempo perdido". A imagem de “tempo perdido” nos remete a um sentimento de culpa ligado a algum resultado ruim. Mas se compararmos São Lourenço como era em 1980 e como está em 2011, não podemos ter nenhum sentimento de culpa pelo que não fizemos, mas de orgulho pelo que construímos, e foi muito. Logo, nesse caso, não atribuímos o “tempo perdido” às vitórias sociais e urbanísticas que conquistamos nos últimos 30 anos. O “tempo perdido”, a culpa pelo que não fizemos, só pode estar necessariamente ligada a variação do mercado de turismo que oscila entre altas e baixas, como acontece no mercado do café, do boi e qualquer outro, e foi o que aconteceu nos últimos 30 anos em que constatamos baixas nos índices de visitação ocasionadas, pura e simplesmente, pela variação normal do mercado. Mas esse suposto vazio do que não fizemos e que poderíamos ter feito para conservar altas as taxas de visitação ou pelo menos oscilando entre 1 milhão ou 800 mil visitantes por ano, conforme afirmam que era há 30 anos atrás, é algo impossível porque a competência do administrador não estabiliza o mercado variável, e, sendo assim, qualquer atitude que pudéssemos ter tomado não estabilizaria o mercado, para sempre, nos índices de 1980. Portanto, se não podemos tiranizar o mercado de turismo em nosso benefício, não temos culpa da baixa, e, enfim, desfazemos a idéia de um “tempo perdido” em que não fizemos nada para “salvar” o turismo. Mesmo assim, se as baixas fossem tão significativas financeiramente, o IDH mineiro não teria apontado São Lourenço como uma das cidades de Minas com melhor qualidade de vida, e poderíamos aliar a concepção de “tempo perdido” ao péssimo desempenho social e urbanístico de São Lourenço, o que não é possível porque constatamos que São Lourenço teve, nos últimos 30 anos, ganhos em todas as áreas sociais, e o comércio, pela sua constante reforma visual e variação de produtos ofertados ao público, inclusive na qualidade, confirma um crescimento econômico do município bem superior ao que podemos verificar nos municípios vizinhos. Ora, se São Lourenço está acompanhando o conforto produzido pelos tempos modernos, não pode ter tido um “tempo perdido”. Se a cidade continua a crescer automaticamente desde sua fundação e se a população melhora seu nível de escolaridade, de emprego e de habitação, estamos justificados ao afirmar que não temos nenhum “tempo perdido” para recuperar.
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