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A busca da felicidade em São Lourenço

Por Marco Aurélio Dias

O que inspira a comunidade de São Lourenço, além do desejo de ser feliz (sobrevivência)? Considerando a crescente circulação do povo de São Lourenço no Centro, fico tentando apreender qual é a sua aspiração maior. Realmente, cada vez mais o povo dos bairros circula no Centro de São Lourenço. Por quê? Acho que despertou mais interesse pelo poder político centralizado na prefeitura. Acho que está se relacionando mais com o comércio e com as entidades de prestação de serviço. As pessoas não ficam paradas no Centro. Elas passam continuamente em busca de um destino. É a luta pela sobrevivência. Porém não considero o instinto da luta pela sobrevivência uma função racional do indivíduo. Apenas reconheço que somos continuamente movidos por esse instinto. Possuímos uma aspiração social que deseja tornar mais fácil e confortável a luta pela sobrevivência. Somos embalados por isso. Quando saio do Bairro Nossa Senhora de Lourdes e vou até o prédio da prefeitura municipal de São Lourenço, que é o centro operacional das decisões administrativas para melhorar a minha sobrevivência e a de todos os sanlourencianos, o que realmente desperta meu interesse nesse mecanismo? Acho que, a priori, necessitamos de informação e de experiência visual com o líder (no caso, o prefeito Zé Neto). Talvez o contato nos assegure que o líder está sob o nosso alcance (controle?). E comunicamos que a prefeitura está no mesmo lugar, que o líder está presente (trabalhando) e que o Centro de São Lourenço está normal. Não é uma comunicação que se processa somente pelo diálogo coloquial, mas pelo nível de ansiedade. Todavia, existe um controle de informação quando me perguntam: o que você acha do Zé Neto? Mazinho vai ser candidato? Zé Celso está vindo forte, não acha? Será que Tenório transfere votos para a Célia? O que fundamenta a ansiedade colocada nessas perguntas é a busca da sobrevivência mais fácil, e tememos que o progresso seja colocado em risco. Na recente crise da administração da presidente Dilma Rousseff, a sociedade temeu que ela não estivesse mais no comando do governo cuidando da melhor sobrevivência de cada um de nós, e pressionou para que o ministro Palocci, alvo das suspeitas de tráfico de influência na Casa Civil, fosse demitido do cargo de ministro chefe. Sei que a felicidade é uma expectativa de sobrevivência mais fácil e confortável que a anterior (quero ser mais feliz do que fui e do que sou) e sei que a aspiração maior do povo de São Lourenço é essa felicidade. Logo, a ansiedade social por essa felicidade futura é o que pressiona e inspira os atos administrativos do prefeito Zé Neto, sendo ele o intérprete desse direcionamento para o futuro. Percebi claramente que a ansiedade do povo do Bairro Nossa Senhora de Lourdes por uma saúde melhor do que a anterior (pela felicidade) despertou em mim a mesma ansiedade, e, posteriormente, o Zé Neto e o Mauro Guimarães foram contaminados pelo mesmo tipo de ansiedade, vindo o prefeito a concretizar a construção do posto de saúde da Biquinha. Então deduzo que, se uma sociedade não estiver movida por uma aspiração de felicidade maior que a anterior, pouco ou nada melhora. Todavia, se, pelo contrário, a sociedade estiver motivada a ser mais feliz, essa motivação vai impulsionar os atos administrativos, de tal forma que a cidade vai crescer. Eu diria que vejo claramente no povo de São Lourenço uma ansiedade por uma felicidade melhor do que a anterior, uma tensão social pelo crescimento, e tudo começa a dar uma resposta a essa tensão, tudo fica pressionado por ela: o turismo busca maiores números de visitação, a prefeitura mais prestação de serviços, o comércio oferece mais variedade, e essa resposta aumenta mais a tensão social pela felicidade. Essa é a razão pela qual as pessoas estão tão críticas, pois estão cumprindo a função de pressionar, de inspirar e de motivar o crescimento. Na verdade, nunca, em toda a história de São Lourenço, o povo esteve mais crítico e mais motivado pela aspiração de uma sobrevivência mais fácil e mais confortável. Mas, infelizmente, não sabe disso e nem racionaliza sua própria ansiedade, apenas coloca sobre alguém suas expectativas sociais, e, comumente, interpreta um presentinho de candidato como a concretização de uma sobrevivência mais fácil, e faz a escolha. Por outro lado, a ansiedade social é impulsionada pelos pequenos fracassos pessoais. Se minha vida não vai muito bem, por minha conta própria, transfiro para o líder da comunidade a minha ansiedade de um futuro maior, responsabilizando-o, e, como ele não vai solucionar meus fracassos pessoais, acabo fazendo uma escolha política por algum candidato sobre o qual não coloquei a culpa do meu fracasso pessoal. Através do presentinho, o candidato me faz acreditar que privarei do contato íntimo com ele, e que, por esse meio, obterei benefícios que aumentarão as minhas chances de uma sobrevivência mais farta, que é o meu objetivo existencial. Penso que a ansiedade social da qual falo é um conjunto de opções que fazemos dirigidos por nossos fracassos, por nossos sucessos e pela necessidade existencial de uma sobrevivência mais confortável.

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Tags: ansiedade, crescimento, felicidade, sobrevivência

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