Por Marco Aurélio Dias
Supondo que o filósofo Diógenes (323 AC) vivesse na estância hidromineral de São Lourenço, MG, em 2011, e não na Grécia, e que, em vez de andar com uma lanterna na mão procurando um homem honesto, andasse procurando um meio para desenvolver o turismo da cidade, será que ele acharia? Se ele não encontrou o homem honesto, é certo dizer que ele também não encontraria a fórmula para desenvolver mais o turismo de São Lourenço? Se Diógenes não encontrou o homem honesto, seria porque o homem honesto não existia na Grécia? Ou seria pelo fato possível de que ele não teria andado em todos os lugares da Grécia? Pode ter acontecido que Diógenes colocou seu barril numa sombra refrescante dentro do Parque das Águas de São Lourenço e ficou dentro do barril descansando e vendo a vida passar, não tendo igualmente se esforçado para encontrar o tal homem honesto, e, nesse caso, se Diógenes vivesse em São Lourenço hoje, também não encontraria uma fórmula para desenvolver o turismo de São Lourenço, pois provavelmente estaria descansando dentro do mesmo barril e não se esforçaria para encontrá-la. Assim sendo, deduzimos, a fórmula para desenvolver qualquer negócio existiria, assim como devem ter existido homens honestos na Grécia, contemporâneos de Diógenes. Agora vamos supor que o prefeito Zé Neto entrasse no Parque das Águas e visse Diógenes dentro do barril e parasse diante do filósofo e perguntasse se ele gostaria de ajudá-lo a encontrar uma fórmula que desenvolvesse mais o turismo de São Lourenço, e Diógenes respondesse: - Olha, Zé Neto, tudo o que eu gostaria é que você saísse da frente do sol porque está atrapalhando meu banho matinal aqui neste delicioso Parque das Águas. A única lógica racional que deduziríamos dessa situação é que Diógenes não tinha nenhum interesse em encontrar uma fórmula para desenvolver o turismo de São Lourenço e melhorar as condições da economia da cidade. Será que podemos deduzir, baseados na falta de interesse de Diógenes, que muitos cidadãos sanlourencianos não tem igualmente nenhum interesse em encontrar uma fórmula para alavancar os números do turismo na estância hidromineral? Se Diógenes não quis fazer parte de um grupo de pessoas inteligentes para tentar resolver um problema municipal, provavelmente muitos cidadãos de São Lourenço também não querem. Já que Diógenes não quer ajudar o prefeito Zé Neto a melhorar a economia da cidade, seria essa a causa que impede que a cidade de São Lourenço tenha um desempenho melhor no mercado de turismo brasileiro? É uma regra da probabilidade que se existe um Diógenes, existem milhares, mesmo por que este seria a cópia de outros que o antecederam. Em sociedade, nenhuma pessoa deixa de herdar comportamentos e conhecimentos. Podemos então supor que a vontade de cooperar ou o sim que Diógenes desse ao prefeito Zé Neto, seria um dos componentes da fórmula do incremento do turismo em São Lourenço? Por enquanto vamos supor que Sócrates viesse passeando com Platão e sua escola de pensadores no Parque das Águas naquele exato momento e o prefeito Zé Neto o abordasse e falasse com ele assim: - Sócrates, pedi a Diógenes que me ajudasse a encontrar uma fórmula para melhorar o turismo de São Lourenço, mas tudo o que ele quer é ficar tomando banho de sol sem se preocupar com a comunidade e com sua própria subsistência. Então, eu gostaria de pedir que você usasse tudo o que você sabe para ajudar minha administração a encontrar um método mais eficiente para alavancar o turismo de São Lourenço e, consequentemente, melhorar a economia do município e a vida dos cidadãos sanlourencianos. É de supor-se que toda empresa esteja procurando se superar, e, similarmente, seria normal também em um prefeito responsável estar preocupado continuamente com alcançar o máximo da prefeitura. Sócrates, todavia, nesta suposição, lhe diria: Olha, Zé Neto, tudo o que sei é que nada sei, portanto, não posso usar tudo o que sei para te ajudar a encontrar o método para o incremento do turismo em São Lourenço, já que tudo o que sei significa nada sei. Ora, se tudo o que Sócrates sabe é que não sabe encontrar um método para melhorar os números do turismo em São Lourenço, e considerando que Sócrates seria um sanlourenciano como todos os 42 mil sanlourencianos que existem hoje, seria correto supor que não sabemos como encontrar tal método ou que estaríamos dando a mesma resposta socrática (tudo o que sei é que nada sei) quando acionados pelo desafio de melhorar os níveis da economia e até mesmo da civilidade? Ou será que o fato de Sócrates saber que não sabe seria uma prova de que sabe que sabe que não sabe, resultando que sabe alguma coisa, o que é bem diferente de não saber absolutamente nada? Ou melhor, será que nós, sanlourencianos, sabemos como fazer o turismo melhorar, mas negamos que sabemos, do mesmo modo como Sócrates sabia muitas coisas, mas negou que sabia? Ora, a oposição das pessoas que estão capacitadas e se negam a cooperar pode ser um fator negativo para o pleno desenvolvimento de São Lourenço. A oposição política é negativa quando ela é somente partidária ou de má vontade dos cidadãos. Supondo que o Imperador Nero vivesse em São Lourenço e nas próximas eleições de 2012 se candidatasse a prefeito com a intenção de, uma vez no poder, colocar fogo no Parque das Águas, desativar todas as escolas públicas municipais de São Lourenço, acabar com o transporte escolar e colocar uma bomba em cada posto de saúde a fim de explodir a estrutura de saúde de São Lourenço. Nesse caso, qualquer um concordaria, a oposição política seria boa, pois ela estaria visando os interesses públicos do município. Mas Diógenes, que preferiu tomar banho de sol no Parque das Águas ao invés de estar imbuído de um voluntariado para ajudar o prefeito Zé Neto a elevar a taxa de visitação na estância hidromineral de São Lourenço, teria deixado de fazer sua parte como cidadão sanlourenciano. Do mesmo modo, se todos os cidadãos sanlourencianos forem socráticos e se comportarem politicamente como o filósofo grego, então não haverá prefeito que dê jeito na meta do município de superar as marcas já alcançadas, pois todos se negarão a colaborar alegando que tudo o que sabem é que nada sabem.
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Tags: Diógenes, São-Lourenço, Sócrates, turismo
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