Jornal O Dias

Por Marco Aurélio Dias

Ponderar sobre a cidade de São Lourenço e sobre sua vocação econômica voltada para o turismo das águas é uma forma de promover sua existência. Uma grande vantagem administrativa de São Lourenço é ser pequena. Existem coisas pequenas que tem um alcance enorme, como a proposta de René Descartes: “penso, logo existo”. Não seria errado aplicarmos aqui a fórmula da quantidade: quanto mais eu “penso” sobre a cidade de São Lourenço, mais ela “existe”. Será possível São Lourenço ou alguém existir mais ou existir menos? Vamos colocar de outra maneira: São Lourenço teria chegado ao máximo da força de expansão e estaria agora sendo atraída pela força de gravidade do declínio, semelhante a uma pessoa idosa? Ou será que  escolhemos só esse resultado para São Lourenço? Vamos analisar da seguinte forma: quando penso sobre São Lourenço, sobre o turismo das águas, sobre o clima ameno da montanha, não só provo para mim mesmo que existo, mas provo que São Lourenço existe. Essa vantagem de São Lourenço ser territorialmente pequena, implica diretamente sobre a vantagem de ser mais fácil de pensar as soluções. Além disso, São Lourenço tem uma fonte de água mineral que só existe outra similar na França: a fonte alcalina. A gente até pode discordar de Descartes afirmando que as águas minerais de São Lourenço não pensam e mesmo assim existem. Mas, por outro lado, sabemos que as águas minerais de São Lourenço só passaram a existir quando Antônio Francisco Viana as descobriu e passaram a ser pensadas por alguém. Todavia, vamos concordar que as águas minerais de São Lourenço existiam antes de serem pensadas; só que, dadas as condições, existiam inutilmente para o mundo, sem ninguém saber. Ou seja, o que não se torna objeto de conhecimento, não existe ou não tem "utilidade". Podem parecer fúteis esses argumentos, porém eles possuem uma lógica de mercado muito fácil de ser entendida. A cidade de São Lourenço existe sem que muitos turistas saibam que ela existe. Existir sem ser objeto de conhecimento é o mesmo que não existir. O turista que não sabe que São Lourenço existe, evidentemente que não vai visitar São Lourenço, o que gera um enorme e imaginário prejuízo econômico. Muitos turistas que não visitam São Lourenço não o fazem só porque conhecem São Lourenço e decidiram não visitar São Lourenço; pelo contrário, não visitam porque não sabem que São Lourenço existe. Do mesmo modo, muitos turistas que visitam São Lourenço fazem isso porque ou já conheciam São Lourenço ou passaram a conhecer. Mas, voltando ao pensamento de Descartes: “penso, logo existo”, e ao decorrente raciocínio: quanto mais penso, mais existo; logo, quanto mais penso na cidade de São Lourenço, mais existência dou a ela, chegamos a uma conclusão que a existência depende do pensamento e que o turista que ainda não conhece São Lourenço depende que eu pense mais sobre São Lourenço para que a cidade se torne objeto de conhecimento para ele, e, possivelmente, objeto de visitação. Sobre o mesmo assunto do resultado da existência, o filósofo Jean Paul Sartre propôs que a pessoa escolhe como quer ser, e que somos o resultado do que escolhemos para nós mesmos. Essa proposta faz a gente pensar que a cidade de São Lourenço é o resultado do que escolhemos para ela, e que podemos continuar escolhendo o que ela vai ser: ou uma cidade de turismo somente brasileiro e regional ou uma cidade de turismo internacional, conhecida no mundo inteiro e visitada pelo mundo inteiro. Tanto pelo pensamento de Sartre, quanto pelo pensamento de Descartes, não há limites para a existência e para a escolha que fazemos de nós mesmos ou da cidade de São Lourenço. Mas percebemos claramente nos dois filósofos que o pensamento e a escolha antecedem o resultado. Se quero e escolho hoje que São Lourenço será uma cidade de turismo internacional, com uma visitação de 5 milhões de turistas ano, preciso pensar na questão da identidade cultural de São Lourenço e planejar essa escolha. Condiciono sempre a questão da identidade cultural de São Lourenço ao pensamento porque se trata de pensar sobre São Lourenço e dar mais existência ao seu turismo. A venda depende do conhecimento do produto, e o produto bruto de São Lourenço é a sua identidade cultural.

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Tags: Descartes, Sartre, São-Lourenço, turismo, água

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